É só chegar a época eleitoral que os defenestrados do poder parecem reencontrar a voz. De repente, descobrem que há uma crise, que nada funciona, que os atuais governantes são responsáveis por todos os males — como se, em seus tempos de comando, tudo fosse um exemplo de eficiência. É curioso esse fenômeno: quem já esteve no poder costuma lembrar muito bem dos problemas dos outros, mas tem uma memória seletiva quando o assunto são os próprios feitos. Na gíria, parece que em suas épocas era tudo “só limpeza”. A poeira, porém, ficou debaixo do tapete. E, vez por outra, quando chega a eleição, alguém levanta a ponta para fingir que nunca esteve ali.