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Pero Vaz de Caminha

A RODILHA E O POTE

“Quem não consegue carregar o pote não deve usar rodilha”, ensinam os mais experientes. O velho ditado lembra que não basta a vontade de caminhar; é preciso ter condições de sustentar o peso da jornada. Na disputa eleitoral, a lição parece ganhar novo sentido. Diante de uma corrida marcada pela desigualdade de recursos, estrutura e visibilidade, algumas candidaturas aos parlamentos já deixam transparecer sinais de desistência antes mesmo da reta final. Não por falta de sonhos ou convicções, mas porque a política, muitas vezes, exige mais do que coragem: cobra fôlego, organização e meios para seguir em frente. No fim, a rodilha continua firme sobre a cabeça de poucos, enquanto muitos percebem que o pote é pesado demais para quem foi chamado a disputar em condições tão desiguais.

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Pero Vaz de Caminha

PESO DA CARROÇA

Há frases que envelhecem mal. Outras, infelizmente, continuam esbanjando vitalidade. Uma delas sentencia, com ares de sabedoria de botequim: “Quem não bajula, puxa carroça“.  É o manual resumido da promoção social pelo elogio interesseiro, onde o mérito tira férias e o “puxasaquismo” assume o expediente. Curioso é que a máxima acaba prestando uma involuntária homenagem aos que seguem puxando suas carroças — não as de madeira, mas as da dignidade. Se para escapar da carroça é preciso curvar a espinha diante dos poderosos, então resta um brinde aos carroceiros. São muitos, é verdade, e talvez sejam justamente eles que ainda consigam caminhar de cabeça erguida. Parabéns, portanto, ao grande contingente dos “carroceiros”. Num mundo em que a bajulação virou atalho, ainda há quem prefira o peso da carroça ao peso

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Pero Vaz de Caminha

NÃO SERVE NA POLÍTICA

Dizem que só se joga pedra em árvore que dá fruto. Bonita frase. Conforta egos, adoça derrotas e serve como analgésico para quem vive cercado de críticas. Na política partidária, então, o provérbio ganha status de tese científica: quanto maior a chuva de pedradas, maior deve ser o pomar. É uma lógica curiosa. Se um candidato é alvo de ataques, logo aparecem os intérpretes do destino garantindo que aquilo é prova de sua grandeza. Afinal, ninguém perde tempo mirando o irrelevante. Por esse raciocínio, bastaria contar as pedras para descobrir o vencedor, dispensando debates, propostas e até eleições. O problema é que nem toda pedra encontra uma árvore carregada de frutos. Algumas acertam troncos ocos, outras são lançadas por puro esporte, e há ainda as que voam apenas porque alguém

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ILUSIONISMO NA CAMPANHA

Todo período eleitoral tem um fenômeno curioso: basta abrir as redes sociais para descobrir que determinado candidato já venceu a eleição… pelo menos na internet. É uma enxurrada de declarações de amor, fidelidade eterna, fotos, vídeos, bandeiras, corações e textos emocionados. Quem observa de fora conclui que a disputa acabou antes mesmo de começar. Diante de tanta demonstração pública de apoio, fica a impressão de que não há mais um voto sequer a conquistar. O candidato já pode encomendar o discurso da vitória, mandar passar o terno e apenas aguardar o anúncio oficial das urnas. Mas a urna tem um estranho hábito de não contabilizar curtidas, compartilhamentos nem comentários inflamados. Ela insiste em contar apenas votos. E, de quatro em quatro anos, lembra que a internet faz muito barulho, mas

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Pero Vaz de Caminha

NA CONQUISTA DA CADEIRA

Alguns analistas da política brasileira afirmam que raramente se viu um número tão grande de postulantes à Presidência da República com currículos e propostas considerados superficiais para ocupar o cargo mais importante da nação. Enquanto isso, o eleitor assiste ao desfile, tentando distinguir estadistas de aventureiros. A participação política cresceu como rabo de cavalo: comprida, vistosa e chamativa. Mas cabelo comprido não faz do cavalo um campeão. Da mesma forma, multiplicar candidaturas não garante líderes preparados. No fim, a democracia continua fazendo a mesma pergunta de sempre: entre tantos nomes, quem realmente está à altura da cadeira que pretende ocupar?

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Pero Vaz de Caminha

ENXAQUECA POLÍTICA

Há tempos a política brasileira convive com reviravoltas, mas a grande novidade da temporada parece ser a enxaqueca providencial. Surge na véspera da convenção, aperta justamente na hora do palanque e, por coincidência, desaparece quando os ventos mudam de direção. Nessas horas, volta à memória a frase do mineiro Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou.” Hoje, talvez fosse preciso apenas um pequeno adendo: às vezes, entre uma nuvem e outra, aparece uma dor de cabeça conveniente. E, como quase tudo na política, também ela passa… conforme a previsão do tempo eleitoral.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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