‘BRIGA DE EX-CUMPADRES’
Na política do interior, o inimigo raramente vem de fora. Às vezes mora logo ali, na mesma sigla, no mesmo grupo, no mesmo palanque — só muda o microfone. Em Santa Esperança (um município fictício), o partido da situação estadual andava dividido em duas alas: a do “doutor” e a do “cumpadre”. Os dois juravam lealdade à mesma bandeira, repetiam o mesmo discurso, elogiavam o mesmo governador e até tiravam foto abraçados em dia de inaugurações. Mas bastava a câmera desligar pra começar o empurra-empurra. Um dizia que o outro “não tinha base”, o outro retrucava que “quem não tem voto é ele”. E assim seguiam, como dois galos dentro do mesmo terreiro, disputando quem cacarejava mais alto pela ração do poder. Nas redes sociais, era uma beleza: cada um