TEMPORADA DOS JABUTIS EM ÁRVORES

Nestas eleições de 2026, preparem os olhos: os jabutis aprenderam a subir em árvores. Não por milagre da natureza, mas por obra da política, essa ciência exata da conveniência. De repente, lá estão eles, pendurados em galhos altos, sorrindo em santinhos coloridos, jurando que sempre pertenceram àquela copa frondosa. Ninguém explica como chegaram ali. Jabutis não voam, não escalam, não pulam. Mas surgem. Alguém os colocou.

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AMADO E ODIADO

Todo líder, cedo ou tarde, aprende essa lição incômoda: não existe unanimidade fora dos cemitérios. Liderar é caminhar com aplausos de um lado e vaias do outro, às vezes trocando de lugar no meio do trajeto. O mesmo gesto que inspira devoção em uns provoca rejeição em outros. Quem decide, desagrada; quem comanda, divide; quem aponta um rumo, inevitavelmente deixa alguém para trás. Ser amado e odiado não é falha do líder — é sinal de que ele existe, age e incomoda. Afinal, a indiferença é privilégio apenas de quem não lidera ninguém.

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COMANDO POLÍTICO

Apesar do significado da frase seja outro, mas aqui em Bragança, no nordeste do Pará, ela pode ser aplicada diante do uso da política na região. A frase em questão – ‘quem é rei nunca perde a majestade’, mantém-se apropriada para o momento político. Pelas atitudes tomadas e recebidas, tudo indica que o ex-prefeito do município, Raimundo Oliveira (MDB) permanece ‘reinando’ no pedaço. Nota-se que a maioria das autoridades e políticos que chegam ao município para qualquer assunto, em primeiro lugar procuram ou visitam o ex. Assim sendo atuando de acordo com o protocolo estipulado – primeiro o rei, depois os demais participantes da corte.

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O MOMENTO VICE

As más línguas da política paraense, que não são poucas, já procuram mostrar as mudanças com o início do ano eleitoral. Falam com uma certa constância sobre a nova rota empreendida por figuras conhecidas e reconhecidas. Os que eram ‘papagaios de piratas’ dos titulares nas fotos, agora procuram os vices. Os abraços efusivos nos titulares mudaram de figuração em direção aos vices. Até nos discursos em palanques de inaugurações os vices são muito mais festejados.

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SUCESSÃO

Na época, o hoje já falecido governador Almir Gabriel, continha muito prestígio político por todo o Pará, mas não contava mais com o direito à reeleição ao governo do Estado. Naquele momento várias figuras políticas aliadas, se arvoraram no direito de ser o ‘escolhido’ para ocupar o espaço. Apesar de toda a pressão, não concordou com ninguém e resolveu lançar como candidato à sua sucessão, Simão Jatene, que nunca havia disputado qualquer cargo eletivo, mas simplesmente dentre outros, foi ocupante do cargo de secretário de Planejamento, considerado técnico. Há quem defenda a tese – que por muitas vezes a história se repete, mudando apenas os protagonistas.

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NAS VITRINES

No mundo político brasileiro podemos perceber que há candidaturas catapultadas. São lançadas por outros com poder e prestígio, uma vez que sozinhos, nada seriam. Saem do nada ou do quase nada, para um possível tudo ou talvez apenas um quase tudo. De apenas ‘papagaios de piratas’ nos palanques assumem um lugar destacado e com maior visibilidade, em período eleitoral. Lembram produtos de supermercados, que em razão de poucas vendas, são mudados de lugar. Lá do fundo são transferidos para vitrines ou gôndolas com maiores visões do público (eleitorado).

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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