ACREDITANDO SEMPRE

Com a aproximação do ano eleitoral o ex-prefeito de Bragança no nordeste paraense, Raimundão (MDB), não esconde de ninguém muito menos do próprio eleitorado que é candidatíssimo a deputado estadual em 2026. Diante de qualquer pedido de informação responde com firmeza que apesar de estar inelegível no momento, até lá estará liberado pela justiça. Na realidade ter fé é ter confiança absoluta em alguém ou em algo. Lembrando a expressão bíblica – “Fé move montanhas” que permite superar obstáculos gigantescos, que parecem impossíveis.

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FÉ TEMPORÁRIA

Quando o calendário eleitoral se aproxima, começa a piscar em vermelho, o político brasileiro desenvolve um súbito e profundo apreço pela fé alheia. Descobre-se devoto, peregrino e quase beato. Passa a frequentar festas religiosas nos mais distantes municípios, sempre com um sorriso treinado, mãos postas e olhar voltado para o céu — ou para a lente do celular mais próximo. Nessas ocasiões, o santo vira cabo eleitoral, a procissão se transforma em palanque itinerante e a missa termina em sessão de fotos. O político faz questão de chegar cedo, cumprimentar todos, carregar andor, acender vela e repetir frases genéricas sobre “fé do povo” e “tradição que precisa ser preservada”. Não importa muito qual seja o padroeiro; o importante é estar presente, visível e bem enquadrado. Curiosamente, fora do período eleitoral,

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POSTAGEM NÃO É TRABALHO

Há deputado que confunde curtida com voto, compartilhamento com compromisso e postagem com presença. Acredita, sinceramente, que aparecer sorridente em três fotos por semana, repetir bordões prontos e gravar vídeos mal enquadrados seja suficiente para renovar o mandato. Não pisa no chão batido das comunidades, não escuta reclamação, não enfrenta fila nem sol. Mas está sempre “on-line”, convencido de que o algoritmo conhece melhor o eleitor do que o aperto de mão. Vive para a foto, governa para o enquadramento e legisla para a legenda. Esquece que rede social não vota, não enfrenta desemprego, não depende de hospital público nem de estrada esburacada. A internet amplifica, mas não substitui. Ela mostra, mas não garante. No dia da eleição, quando a urna não confirma a popularidade digital, sobra a surpresa —

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CONVERSA AO ‘PÉ DO OUVIDO’

O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB) viajou de férias para o exterior, mas segundo um sempre frequentador do Palácio Antônio Lemos, ele teria deixado um recado político para alguns. Que poderá se transformar em uma bomba de vários megatons. Aborrecido por razões desconhecidas até o momento, confidenciou ao ‘pé do ouvido’ o desejo de renunciar ao cargo. Passaria a faixa para o vice Cássio Andrade e se tornaria candidato a deputado federal nas próximas eleições, inclusive aproveitando também o prestígio eleitoral do vice que está no MDB e que já foi deputado federal.

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MANDADO TEM URGÊNCIA

A Câmara Municipal de Bragança no nordeste paraense não se faz de rogada, em, através de advogados, apresentar vários recursos perante à Justiça, no sentido de não obedecer uma determinação de Mandado de Segurança para revogação da cassação da vereadora Tati Rodrigues (PSDB). A Câmara perdeu mais uma entre outras. No fundo, os recursos impetrados não passam de medidas protelatórias, uma vez que um Mandado de Segurança, pelo contrário, merece urgência.

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MARKETING TRAVESTIDO

Pesquisa eleitoral muito antecipada não mede voto; mede barulho. Funciona mais como outdoor estatístico do que como retrato fiel da vontade popular. Sai cedo demais, quando o eleitor ainda está ocupado em sobreviver, não em escolher candidato, mas já aparece com cara de sentença. Serve, quase sempre, para turbinar nomes específicos. Cria a ilusão do “já ganhou”, atrai aliados oportunistas, libera cofres e intimida adversários. Quem aparece bem vira “fenômeno”; quem não aparece, some antes mesmo de existir. É menos ciência e mais marketing travestido de número. No fim das contas, essas pesquisas não antecipam o futuro — tentam fabricá-lo. E, como toda propaganda bem-feita, repetida à exaustão, acaba convencendo muita gente de que liderança se mede antes da campanha, antes do debate e, principalmente, antes do voto.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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