AUTOPIEDADE
Há um tipo curioso de personagem que habita a política brasileira — aquele que, quando elogiado, é herói do povo; mas quando denunciado, vira mártir da injustiça. São os “perseguidos do poder”, criaturas que, diante de qualquer acusação, vestem o manto da vítima e sobem ao palco da autopiedade. Basta surgir uma denúncia — superfaturamento, desvio, rachadinha, contrato suspeito — e o roteiro se repete. A voz embarga, o olhar se enche de falsa indignação e vem o discurso pronto: estão tentando me derrubar porque eu trabalho demais pelo povo. É um clássico. O sujeito não se defende com provas, mas com frases de efeito e lágrimas bem ensaiadas. A tática é antiga e eficiente. No lugar de explicar as contas, mostram cicatrizes políticas. No lugar de abrir documentos, abrem