PASSADO E PRESENTE
Nos municípios brasileiros, a política tem memória curta, mas comparação longa. Basta a troca de gestor para que o passado volte a circular em discursos, entrevistas e mesas de café, quase sempre como espelho — ou como espantalho — do presente. Os gestores passados ganham duas versões com o tempo: a romantizada e a demonizada. Na primeira, “naquela época tudo funcionava”, as ruas eram mais limpas, o servidor mais respeitado, a prefeitura mais organizada. Na segunda, herdada pelos atuais, sobra sempre uma terra arrasada, cofres vazios, contratos suspeitos e promessas que nunca saíram do papel. Curiosamente, ambas convivem na mesma cidade, separadas apenas pelo interesse de quem conta a história. O gestor atual, por sua vez, vive o dilema da vitrine. Diferente dos antecessores, governa sob o olhar constante das