FESTIVIDADES DA MARUJADA

Começaram ontem, e Bragança acordou diferente. Não foi o barulho comum da cidade que anunciou o dia, mas o som antigo dos tambores, como se o chão do nordeste do Pará lembrasse aos pés apressados que ali há uma história que não se apressa. A Marujada não começa quando o primeiro marujo dança. Ela começa antes, na fé guardada em silêncio, na roupa preparada com cuidado, no olhar de quem sabe que tradição não é espetáculo: é compromisso. Em Bragança, São Benedito não é apenas santo; é parente próximo, é presença que atravessa gerações. Enquanto as cores tomam as ruas e os chapéus se alinham como ondas organizadas, a cidade parece suspender o tempo. A Marujada mistura devoção e festa sem pedir licença à modernidade. Ali, dançar é rezar com

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CASSADA SE LANÇA CANDIDATA À PREFEITA DE BRAGANÇA

No plenário, o mandato foi cassado; no discurso, parece que jamais. A vereadora de Bragança, no nordeste do Pará,Tati Rodrigues (PSDB)  saiu pela porta dos fundos da Câmara, mas entrou pela principal do Judiciário, empunhando a tentativa de um mandado de segurança como quem carrega um salvo-conduto moral. Não era apenas a possibilidade de voltar ao cargo — era, sobretudo, a chance de permanecer em cena. Cassada, mas não silenciada, ela descobriu que a política brasileira não termina com a perda do mandato. Pelo contrário: às vezes, começa ali. Entre uma petição e outra, entrevistas surgiram, discursos ganharam tom épico e a narrativa passou a ser de injustiça histórica, perseguição pessoal e coragem solitária. A cassação virou troféu; o processo, palanque. Enquanto o Judiciário decide se houve excesso ou rigor,

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NEGOCIATAS NO PODER

No balcão de negócios entre o Legislativo e o Executivo, a população nunca encontra cadeira para sentar. Ali, as negociações acontecem em voz baixa, com sorrisos ensaiados e apertos de mão que valem mais do que discursos inflamados em plenário. Trocam-se cargos, verbas, favores e silêncios, tudo embalado em palavras bonitas como “governabilidade” e “interesse público”. Enquanto isso, do lado de fora, o povo observa pela vitrine embaçada. O balcão é lustroso, mas o caixa nunca fecha para quem paga impostos: sempre falta saúde, educação, segurança e sobra paciência. Curioso é que, ao fim do expediente, todos os negociadores se dizem vencedores. O Executivo garante apoio, o Legislativo garante espaço, e ambos juram ter pensado no país. Só a população não aparece na foto da vitória. Ela fica com o

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SEM ENERGIA ELÉTRICA EM BAIRROS DE BRAGANÇA

Bragança, no nordeste do Pará, felizmente não está sofrendo em razão de mudanças climáticas, como aconteceu recentemente no sudeste brasileiro, onde milhares usuários ficaram sem energia elétrica, provocando sérios problemas aos paulistanos. No entanto desde ontem 17/12 que parte dos bairros Vila Sinhá e Perpétuo Socorro, em Bragança,s está sem energia elétrica da distribuidora Equatorial, também provocando sérios problemas para a população. Por enquanto a situação persiste, sem que haja solução dos responsáveis. Segundo informações, ontem queimou um transformador e a Equatorial, continua esperando a chegada de outro para fazer a troca. Impressionante que este equipamento não tenha no estoque da empresa em Bragança.

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SILÊNCIO SEPULCRAL

O silêncio que se instala após certas vitórias políticas não é o da reflexão, mas o da conveniência. Bastou o resultado sair do jeito esperado — graças a artimanhas que nunca aparecem na propaganda — e o verbo foi recolhido ao bolso, junto com o sorriso contido. Esse silêncio não é falta de assunto. É excesso de cálculo. Melhor, então, posar de estadista ponderado, como se a quietude fosse virtude e não estratégia. É um mutismo seletivo. Por fim, o silêncio revela mais do que qualquer discurso. Ele confirma que a vitória não pediu aplausos porque não suportaria perguntas. E assim a política segue, provando que, para alguns, o maior talento não é convencer — é desaparecer no momento exato em que deveriam explicar. O fato exposto é apenas que

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DE DOIDO APENAS O DISCURSO

Ele vive dizendo que é doido, que fala o que pensa e age por impulso, gosta de ser chamado de doido. Mas a loucura, curiosamente, nunca chega perto do próprio bolso. Não rasga dinheiro, não despreza privilégios, não abre mão de vantagens. A “doidice” é só no discurso, bem calculada, ensaiada para parecer coragem. Porque, no fundo, há políticos que podem até fingir descontrole — mas quando o assunto é dinheiro, a sanidade é absoluta.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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