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Pero Vaz de Caminha

A REALIDADE VINDO À TONA

Pelas últimas informações, dois velhos adágios populares voltam a ganhar força e a nos convidar à reflexão: “Quem tem rabo de palha não passa perto de fogueira” e “Diz-me com quem andas e te direi quem és”. Na política, onde discursos nem sempre combinam com atitudes, certas aproximações dizem mais do que longas declarações. Há quem condene publicamente aquilo que, nos bastidores, parece tolerar ou até apoiar. E há quem, diante do calor dos acontecimentos, prefira manter distância, não necessariamente por prudência, mas pelo receio de que as chamas iluminem aquilo que gostaria de manter nas sombras. É claro que alianças, por si só, não provam culpa, assim como o silêncio não significa necessariamente concordância. Contudo, a coerência entre palavras, atitudes e companhias é um elemento essencial para avaliar a

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Pero Vaz de Caminha

FALTA DE AUTOCONFIANÇA E PREPARO

Querer ser líder é muito mais do que desejar o protagonismo ou ocupar o centro das atenções. Liderar exige firmeza, coerência e, sobretudo, responsabilidade com aquilo que se diz publicamente. Na política, mudar de opinião não é necessariamente um defeito. Reconhecer erros e rever posições pode ser sinal de maturidade. O problema começa quando a mudança deixa de ser fruto da reflexão e passa a parecer conveniência, quando hoje se afirma com convicção, aquilo que amanhã se nega sem constrangimento. Um líder não precisa ter todas as respostas, mas precisa saber sustentar suas posições e assumir as consequências de suas palavras. A indecisão permanente transmite insegurança, enfraquece a confiança e coloca em dúvida a própria capacidade de conduzir pessoas e projetos. Afinal, quem pretende liderar precisa compreender que a palavra

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Pero Vaz de Caminha

O MELHOR ESTADO

O estado feliz de espírito não permite ofender ninguém. Somente alegrias. O desespero na reta final de uma campanha em uma situação difícil, em qualquer segundo turno é representado pela falta de argumentos e um número excessivo de ofensas sem o menor sentido. Por esta ação atabalhoada e despropositada é possível acreditar e anotar uma prévia derrota dos que tomam este tipo de atitude. Como dizia o barão de Itararé, o humorista da democracia (foto) – Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar.

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NA CRISE O FIM DO LIBERALISMO CLÁSSICO

Em 1929, os Estados Unidos mergulharam em uma das maiores crises econômicas da história: a Grande Depressão. Bancos faliram, empresas fecharam as portas e milhões de pessoas perderam seus empregos. Diante desse cenário, a ideia de que o mercado conseguiria se recuperar sozinho já não parecia suficiente para enfrentar o sofrimento da população. Foi nesse contexto que Franklin Delano Roosevelt assumiu a presidência, em 1933, propondo uma mudança na maneira de conduzir a economia. Em vez de confiar exclusivamente no liberalismo clássico, que defendia uma intervenção limitada do Estado, Roosevelt colocou o governo no centro da recuperação econômica por meio do New Deal, um conjunto de medidas conhecido pelos três Rs: Relief (alívio), Recovery (recuperação) e Reform (reforma), O primeiro R, o alívio, buscava socorrer os mais atingidos pela crise,

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Pero Vaz de Caminha

É OU NÃO É?

Em uma disputa eleitoral, quando um candidato passa praticamente toda a campanha criticando e combatendo as propostas do adversário, mas, às vésperas da eleição, muda de posição e passa a defendê-las, algumas perguntas tornam-se inevitáveis: o que mudou — suas convicções ou sua estratégia eleitoral? A mudança de opinião é legítima quando resulta de reflexão, diálogo ou reconhecimento de que o outro lado tem razão. Entretanto, quando ocorre justamente no momento decisivo da campanha, sem explicações convincentes, pode levantar dúvidas sobre a coerência, a transparência e a autenticidade do discurso político. O eleitor tem o direito de saber se está diante de uma evolução de pensamento ou de uma tentativa de conquistar votos a qualquer custo. Afinal, governar exige princípios, responsabilidade e clareza de propósitos, não apenas discursos moldados conforme

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O ‘DÚBIO’ E O PASSADO QUE NÃO PASSA

Logo após construir um golpe que, a princípio, parecia ser anunciado como uma ponte para o futuro, o governo de Michel Temer começou a revelar as contradições de seu próprio discurso. Em maio de 2016, logo no início de sua gestão, extinguiu o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, sinalizando que determinadas pautas, embora indispensáveis à construção de uma sociedade democrática, poderiam ser rebaixadas à condição de despesas dispensáveis na reorganização do Estado. A política brasileira tem dessas ironias: vende-se o amanhã com as palavras de ordem da modernização, da responsabilidade e da governabilidade, mas, quando as portas do poder se abrem, são os compromissos sociais que frequentemente ficam do lado de fora. A promessa de futuro, nesse caso, parecia atravessar uma ponte cujos primeiros passos

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

Joseph Pulitzer

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