
A FINALIDADE É O PODER
Na política brasileira, há abraços que parecem apertados demais para serem sinceros. São encontros entre antigos adversários, inimigos de ontem que hoje dividem o mesmo palanque, o mesmo discurso e, às vezes, até o mesmo sorriso para a fotografia. Grande parte das candidaturas nasce com um objetivo muito claro: chegar ao poder. E, quando o poder está em jogo, algumas diferenças que pareciam inegociáveis tornam-se apenas detalhes. O antigo inimigo passa a ser chamado de aliado; a crítica feroz vira elogio estratégico; o passado, convenientemente, perde a memória. Não se trata de dizer que alianças são sempre erradas. A política exige diálogo, negociação e, muitas vezes, a convivência entre pensamentos diferentes. O problema aparece quando a busca pelo poder é maior que qualquer princípio — quando não importa quem esteja




