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Pero Vaz de Caminha

LIDERANÇA É CONSTRUÍDA

Há quem nasça cercado de nomes importantes, de histórias de família e de portas que parecem se abrir com facilidade. Mas liderança é outra coisa. Não se recebe como herança, nem passa de uma geração para outra como um sobrenome. Liderança se conquista no caminho, nas escolhas e, principalmente, nas atitudes. É quando as palavras deixam de ser apenas promessas e se transformam em ações; quando as propostas saem do papel e começam a produzir mudanças. Por isso, havemos de concordar com quem afirma que liderança não se herda: adquire-se. E ela se fortalece quando existe coerência entre o que se diz e o que se faz. Afinal, liderar não é estar à frente porque alguém nos colocou ali. É conseguir que outros reconheçam, nas nossas ações, razões para caminhar

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Pero Vaz de Caminha

MEMÓRIA DE OPOSIÇÃO

Há momentos em que a política parece uma comédia escrita às pressas. O palanque está montado, a multidão espera, os discursos prometem entusiasmo — e, de repente, surge a pergunta que ninguém esperava: porque esqueceu de citar o nome do candidato que possivelmente apoia. É apenas um detalhe, diriam os mais otimistas. Talvez. Mas há detalhes que entram em cena justamente para roubar a cena. Porque apoiar alguém que não lembra, em pleno palanque, é uma dessas situações em que a memória resolve fazer oposição à retórica. No fim, fica aquela velha dúvida: é apoio político ou apenas presença confirmada no evento?

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Pero Vaz de Caminha

APRENDENDO COM A EXPERIÊNCIA

Há quem aprenda com a experiência. E há quem, diante dela, prefira correr. O primeiro percebeu a armadilha. Não fez alarde, não derrubou a mesa, não saiu gritando pelas portas. Apenas olhou com atenção, entendeu o mecanismo e contornou o obstáculo. Talvez tenha sido a experiência que lhe ensinou a desconfiar das aparências. Ou simplesmente o tempo, esse professor que cobra caro, mas raramente deixa de ensinar alguma coisa. O segundo também percebeu. Só que chegou a uma conclusão diferente: aquilo não era um espetáculo para ser assistido apenas com os parceiros de sempre. Havia outros atores, outros interesses, outros roteiros. E quando percebeu que poderia acabar representando um papel que não escolhera, preferiu a saída mais antiga e eficiente da humanidade diante do perigo: fugir. Não há grande novidade

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Pero Vaz de Caminha

PENSANDO NA OUTRA

Mal terminou uma eleição e, nos bastidores, outra já começa a ser desenhada. As municipais de 2028 ainda parecem distantes, mas as conversas, os acenos e, principalmente, as promessas de apoio já começam a aparecer. Na política, o calendário oficial nem sempre acompanha o calendário das articulações. O apoio de hoje pode carregar a promessa de retribuição amanhã. Um gesto agora pode valer uma aliança daqui a dois anos. Pode parecer exagero dizer que, logo após o resultado desta eleição, já estarão em andamento as negociações para 2028. Mas quem acompanha a política sabe: enquanto o eleitor ainda comemora ou lamenta o resultado das urnas, nos bastidores muitos já começam a pensar na próxima disputa. A eleição termina. A política, não.

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Pero Vaz de Caminha

BONECOS E VENTRÍLOQUOS

A quem interessam os debates políticos nas TVs brasileiras? Talvez ao público, talvez às emissoras — certamente aos marqueteiros. Ali, candidatos cuidadosamente ensaiados entram em cena como atores de um espetáculo no qual até a dissimulação parece ter sido objeto de treinamento. Perguntas difíceis recebem respostas decoradas; quando não convém responder, muda-se o assunto com elegância e um sorriso. No fim, a televisão oferece a ilusão do confronto, enquanto a realidade permanece nos bastidores. São ventríloquos falando por bonecos — e nós, disciplinadamente, discutindo qual deles parece mais convincente.

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Pero Vaz de Caminha

AINDA EM USO

Houve uma época em que era comum ouvir, nos corredores da vida pública, que não se deveria brigar com quem usava saia, batina, toga ou manto. Não era exatamente uma questão de respeito à roupa, mas de prudência diante de quem a vestia. A saia representava certas majestades, a batina inspirava reverências, a toga lembrava que a lei também tinha seus sacerdotes e o manto, bem… o manto sempre pareceu esconder alguma coisa. Com o tempo, descobrimos que as vestimentas mudam, mas o velho conselho permanece: cuidado ao comprar briga com quem tem o poder de transformar uma simples discussão em cerimônia oficial. Talvez porque, na vida pública, mais importante que estar certo seja descobrir, antes de levantar a voz, quem está usando a roupa adequada para dar a última

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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