APTIDÃO PARA O PODER

Há quem pense que o poder é uma poltrona confortável, dessas que giram, reclinam e fazem massagem nas costas. Mas o poder, na verdade, é uma cadeira dura — e quem não tem preparo acaba sentando torto. Política não é lugar pra aventureiro que confunde autoridade com vaidade. É ofício de quem sabe ouvir, decidir e, sobretudo, suportar o peso de não agradar a todos. Quem entra nela sem vocação vira ator de um espetáculo triste: fala muito, promete mais ainda e entrega pouco. O problema é que há gente que entra na política como quem entra num baile: de terno novo, sorriso ensaiado e passo desajeitado. Quer ser aplaudido, mas não aprendeu a dançar conforme a música do povo. Aptidão para o poder não é gostar de mandar —

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NA MESMA MESA

Há coisas que a boa convivência recomenda evitar: política em velório, sogra em lua de mel e — sobretudo — dois políticos na mesma lanchonete. Não importa se são do mesmo partido, da mesma cidade ou até da mesma família. Quando se sentam frente a frente, o ar pesa, o sorriso aperta e o garçom, coitado, já percebe que aquele pedido de “só uma água com gás” vai acabar em guerra de egos. O primeiro começa elogiando o colega — “Fulano é um grande nome da política local” — e o segundo retribui com aquele sorriso de quem está fazendo contas mentais: “Grande, sim, mas já está na hora de se aposentar”. Em minutos, o tom sobe, o garfo vira microfone e a conversa se transforma num debate eleitoral fora

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‘BRIGA DE EX-CUMPADRES’

Na política do interior, o inimigo raramente vem de fora. Às vezes mora logo ali, na mesma sigla, no mesmo grupo, no mesmo palanque — só muda o microfone. Em Santa Esperança (um município fictício), o partido da situação estadual andava dividido em duas alas: a do “doutor” e a do “cumpadre”. Os dois juravam lealdade à mesma bandeira, repetiam o mesmo discurso, elogiavam o mesmo governador e até tiravam foto abraçados em dia de inaugurações. Mas bastava a câmera desligar pra começar o empurra-empurra. Um dizia que o outro “não tinha base”, o outro retrucava que “quem não tem voto é ele”. E assim seguiam, como dois galos dentro do mesmo terreiro, disputando quem cacarejava mais alto pela ração do poder. Nas redes sociais, era uma beleza: cada um

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AUTOPIEDADE

Há um tipo curioso de personagem que habita a política brasileira — aquele que, quando elogiado, é herói do povo; mas quando denunciado, vira mártir da injustiça. São os “perseguidos do poder”, criaturas que, diante de qualquer acusação, vestem o manto da vítima e sobem ao palco da autopiedade. Basta surgir uma denúncia — superfaturamento, desvio, rachadinha, contrato suspeito — e o roteiro se repete. A voz embarga, o olhar se enche de falsa indignação e vem o discurso pronto: estão tentando me derrubar porque eu trabalho demais pelo povo. É um clássico. O sujeito não se defende com provas, mas com frases de efeito e lágrimas bem ensaiadas. A tática é antiga e eficiente. No lugar de explicar as contas, mostram cicatrizes políticas. No lugar de abrir documentos, abrem

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MOMENTO SOMBRIO

“Quem tem rabo de palha não passa perto de fogueira” é uma daquelas expressões populares que dizem mais do que parecem. No campo político, ela serve como espelho e aviso: quem tem culpa, medo ou segredos mal resolvidos evita se aproximar de situações que possam revelar suas falhas. Na prática, é o velho jogo da cautela disfarçada. Muitos políticos, ao verem um escândalo estourar, tratam logo de mudar de assunto, sair de cena ou atacar quem denuncia — afinal, sabem que qualquer faísca pode acender o fogo da desconfiança. A frase mostra como a política brasileira ainda é marcada pela lógica do receio: quem deve teme, e quem teme se esconde. Mas também é um convite à reflexão pública. Se a fogueira representa a transparência e a fiscalização, por que

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QUANDO O SILÊNCIO FALA

Há momentos em que o barulho do mundo pesa mais do que o som de uma explosão. Gritam as opiniões, os julgamentos, as urgências. Todos querem ser ouvidos, poucos querem ouvir. E, nesse tumulto de vozes, o silêncio parece covardia — quando, na verdade, pode ser coragem. O silêncio não é ausência. É presença contida. É uma palavra que decidiu amadurecer antes de nascer. Ele não foge do conflito: apenas se recusa a brigar com o que não vale a pena. Há quem confunda isso com fraqueza, mas o silêncio é, muitas vezes, a arma dos sábios — e o escudo dos que aprenderam a medir o peso de cada palavra. Quem cala por sabedoria não se rende: se preserva. Economiza energia para o que realmente importa. Não responde ofensas,

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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