
A AMPULHETA NA JUSTIÇA
Houve um tempo em que o Judiciário brasileiro, e especialmente o Supremo Tribunal Federal, demonstrava preocupação com os chamados recursos protelatórios. A crítica era justa: quando um processo é transformado em uma sucessão interminável de recursos, embargos e pedidos, a Justiça deixa de ser apenas lenta e passa a ser uma espécie de espera sem prazo para terminar. A lógica parecia simples: recurso existe para garantir direitos, corrigir erros e preservar o devido processo legal. Não deveria servir, porém, como instrumento para empurrar uma decisão para um futuro cada vez mais distante. O curioso é que, na vida real, o STF parece no momento conviver com dois relógios. Há o relógio que cobra rapidez de quem recorre. E há outro, bem mais silencioso, que permanece parado quando processos e investigações




