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Pero Vaz de Caminha

O FEDOR PERMANECE

Por onde estariam as autoridades competentes para encontrar uma solução daquilo que prejudica grande parte da população bragantina no nordeste do Pará? Por diversas vezes as reclamações e nenhuma vez a posição tomada. Principalmente no trecho da estrada que liga a sede do município até à vila do Bacuriteua. A fedentina é insuportável. Caminhões que transportam peixes vão deixando pelo leito da rodovia, água podre de restos dos pescados. Ela naturalmente corre para o pouco de acostamento que existe, indo para as valas, provocando um grande fedor que exala por toda a região.

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O PODER DA TRANSFORMAÇÃO

Muitas vezes somos obrigados a reconhecer que a política, especialmente durante uma campanha eleitoral, tem um estranho poder de transformação. O que ontem era ofensa, hoje pode aparecer como elogio; o que antes parecia absurdo, agora ganha a delicadeza das chamadas “palavras de amor”. Basta mudar o momento, o interesse ou o lado do palanque para que certas palavras também mudem de significado. Velhas críticas são esquecidas, antigas acusações perdem a força e, de repente, aqueles que se enfrentavam com dureza passam a trocar sorrisos e gentilezas. Talvez seja essa uma das maiores habilidades da política: transformar não apenas discursos, mas também a memória de quem os pronuncia e de quem os escuta. Convém, portanto, lembrar uma velha e sábia frase: “As palavras servem para disfarçar os pensamentos.”E, em tempos

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Pero Vaz de Caminha

AMNÉSIA PARCIAL

E a história continua, quase sempre com os mesmos personagens, ainda que mudem os figurinos, os discursos e, principalmente, as justificativas. Na conquista do poder, há promessas, gestos de grandeza e palavras cuidadosamente escolhidas. Fala-se em princípios, em justiça, em compromisso com o povo. O poder, porém, tem uma curiosa capacidade de alterar a memória de quem o alcança. Aos poucos, aquilo que antes parecia inaceitável passa a ser apenas “necessário”. O que ontem provocava indignação hoje recebe uma explicação. E o que seria impensável acaba sendo tratado como rotina. É uma espécie de amnésia parcial: não se esquece de tudo, apenas daquilo que incomoda. Esquecem-se as antigas críticas, as promessas feitas, os limites que se jurava respeitar. A memória torna-se seletiva, conveniente, quase um departamento particular da consciência. Na

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VENHA DE ONDE VIER…

Segundo analistas, as emendas parlamentares podem virar grandes cabos eleitorais nas próximas eleições. Nada como usar o dinheiro público para fortalecer a própria campanha — afinal, no Congresso, o “trabalhando em causa própria” parece ter virado política de Estado. E ainda mais o famoso fundo eleitoral entre outros penduricalhos para a campanha. Sem contar com as verbas mensais de gabinetes. Há quem diga que desta feita fica desproposital a diferença de enfrentamento com candidaturas sem estes privilégios. Bom momento para parodiar os versos iniciais da famosa canção “Cinderela” bastante cantada por Ângela Maria – “Venha de onde vier, chegue de onde chegar”

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RETORNANDO PARA APOIAR O IRMÃO

Tudo indica que a consanguinidade falou mais alto. Depois de uma temporada longe dos holofotes, o ex-prefeito de Bragança, no nordeste paraense, Edson Oliveira, voltou à política local para reforçar a campanha pela reeleição do irmão, Renato Oliveira, deputado estadual. Na Vila do Cajueiro, Edson acompanhou o candidato e fez questão de lembrar aos moradores os tempos em que esteve à frente da prefeitura. Entre uma conversa e outra, puxou pela memória a obra de pavimentação que, segundo ele, levou o asfalto à comunidade quando assumiu a gestão municipal. Na política, como na vida, há caminhos que o tempo parece apenas dar uma volta para reencontrar. E, neste caso, o caminho de volta passa pela família.

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DÚVIDA FABRICADA

Há coisas que a imprensa sabe muito bem, mas que, por conveniência, parece preferir esquecer. Uma delas é a diferença — elementar no Direito, mas aparentemente complicada no noticiário — entre ser investigado, ser indiciado e ser condenado. Ser investigado não significa ser culpado. Significa, antes de tudo, que existem fatos a esclarecer, perguntas a responder e uma investigação em andamento. O indiciamento já representa outro estágio, quando a autoridade policial aponta, com base nos elementos colhidos, uma possível autoria. E a condenação é outra história: pressupõe processo, contraditório, defesa e uma decisão judicial. Mas, no tribunal da opinião pública, essas etapas frequentemente são colocadas no mesmo saco. Basta uma manchete, uma suspeita ou uma investigação para que o personagem seja apresentado como se já carregasse uma sentença definitiva. A

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

“com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil com ela mesma”

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