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Pero Vaz de Caminha

DESTRUIÇÃO PELA SOBERBA

Na política, a ganância quase nunca caminha sozinha. Costuma vir acompanhada da soberba, daquela perigosa sensação de que o poder é permanente e de que determinadas cadeiras pertencem, por direito adquirido, a quem já está sentado nelas. Mas a política tem suas surpresas. Cada eleição escreve uma história diferente da anterior. O eleitor muda, as circunstâncias mudam, os grupos se reorganizam e, muitas vezes, aquilo que parecia sólido começa a apresentar rachaduras. É justamente nesse momento que a soberba pode se transformar em uma armadilha. No Pará, novas candidaturas começam a surgir com prestígio, força política e condições de montar estruturas competitivas para a próxima disputa eleitoral. São nomes que podem alterar o equilíbrio de forças e mostrar que ninguém é imbatível quando a urna está aberta. Por isso, qualquer

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REJEIÇÕES EM PESQUISAS

Analistas de pesquisas eleitorais parecem pensar, quase por unanimidade, da mesma maneira quando o assunto é rejeição. Em qualquer cenário de intenção de voto, o candidato menos conhecido costuma aparecer também como o menos rejeitado. Mas há uma sutileza importante: baixa rejeição não significa, necessariamente, boa avaliação. Pode significar simplesmente que o eleitor ainda não conhece o suficiente aquele candidato para rejeitá-lo — ou mesmo para escolhê-lo. É como julgar um livro pela quantidade de pessoas que disseram não gostar dele sem perguntar quantas, de fato, o leram. Na política, às vezes, o candidato menos rejeitado é apenas aquele sobre quem o eleitor ainda não formou opinião. Por isso, rejeição baixa pode ser virtude, mas também pode ser silêncio. E silêncio, em pesquisa eleitoral, não é necessariamente aprovação.

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SEM ESPAÇOS PARA AVENTURAS

Há campanhas que cabem no bolso; outras exigem que se abra a própria gaveta do impossível. Custear uma única candidatura à Câmara dos Deputados já é uma empreitada. Bancar uma disputa pelo governo do Estado é outra história — e, como se costuma dizer, outro patamar. Para governador, a conta sobe, a estrutura cresce e o risco de improviso desaparece. Não há espaço para aventura, nem para entusiasmo sem lastro. É preciso fôlego, organização e, sobretudo, saber que, nesse jogo, o preço de entrar não é o mesmo de apenas querer jogar. No governo, a disputa é mais embaixo — ou, melhor dizendo, infinitamente mais para cima.

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SEM OBEDIÊNCIA A PRINCÍPIOS PARTIDÁRIOS

Em Bragança, a política parece ter criado seu próprio calendário: o partido marca uma data da Convenção, mas os nomes escolhidos por alguns filiados são outros. Dos vereadores com mandato, apenas Cláudio da Van (PDT) e Gleidson Miranda (PT) apoiam Daniel Santos para o governo do Pará. Detalhe curioso: PDT e PT integram a coligação de Hana Ghassan (MDB). Gleidson, numa espécie de política à la carte, acompanha a chapa inteira — menos a candidatura ao governo. No fim, fica a velha lição da política brasileira: princípios partidários são importantes, claro. Mas, quando se trata de candidaturas, até a fidelidade partidária parece pedir licença.

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POLÍTICA SEM CONTRAPONTO

Há políticos experientes que aprenderam uma nova regra do jogo: para quê enfrentar as perguntas incômodas das mídias tradicionais se é possível falar diretamente ao eleitor pelas redes sociais? Antigamente, uma entrevista no rádio, na televisão ou no jornal exigia disposição para ouvir perguntas, responder a críticas e, muitas vezes, sustentar um debate. Hoje, basta uma câmera, um celular e uma equipe afinada. Grava-se a mensagem, escolhe-se o melhor ângulo, publica-se e pronto. A política ganha filtros — e perde um pouco da conversa. As redes sociais deram aos políticos uma ferramenta poderosa: permitem escolher o que dizer, quando dizer e até para quem dizer. O eleitor recebe a mensagem, mas raramente vê o contraponto. O debate, que deveria ser parte essencial da democracia, acaba substituído pelo monólogo. Não se

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DEMONSTRAÇÃO DE APOIO

Na pérola do Caeté, há gestos que dispensam discursos. Para que não pairem dúvidas no eleitorado, o prefeito de Bragança, Mário Júnior, tratou de deixar registrado, em uma postagem, um abraço carinhoso e apertado no ex- prefeito – Raimundo Oliveira, hoje candidato a deputado estadual nas eleições vindouras. Mais que um simples cumprimento, a fotografia tem dessas mensagens que falam sem precisar de legenda: uma demonstração pública de proximidade e apoio, daquelas que, na política, costumam dizer muito.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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