
DENÚNCIAS EM PENDRIVE
Houve um tempo em que escândalos tinham peso. Literalmente. Eram carregados em pastas de papelão, abarrotadas de documentos, fotografias, recortes de jornais e anotações. O denunciante chegava solene, debaixo do braço, trazendo o objeto que prometia mudar os rumos da política. A imagem da pasta fechada despertava curiosidade; aberta, causava arrepios. Quem viveu aqueles anos certamente se recorda da famosa pasta cor-de-rosa do senador Antônio Carlos Magalhães, que ganhou notoriedade por reunir documentos contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. A cor chamava atenção, mas era o conteúdo que alimentava manchetes, debates e especulações. A pasta virou personagem da política brasileira. Naquela época, parecia que a gravidade de uma denúncia podia ser medida pela espessura do volume. Quanto mais recheada a pasta, maior a expectativa. Era quase um ritual: abrir os




