
RADICALISMO NA CAMPANHA
Em tempos de campanha eleitoral, a realidade parece disputar espaço com uma espécie de mundo paralelo. De um lado, fatos; do outro, argumentos sem fundamentos, repetidos tantas vezes que quase ganham aparência de verdade. As realizações são colocadas frente a frente com propostas impossíveis, promessas que cabem perfeitamente no discurso, mas dificilmente encontram espaço no orçamento ou na vida real. Na área da segurança, o debate muitas vezes abandona a razão: diante de violências abomináveis, surgem respostas carregadas de medo, indignação e desejo de vingança. E os discursos, que deveriam aproximar e apresentar caminhos, acabam transformando diferenças em conflitos e adversários em inimigos. Palavras inflamadas atravessam as telas, as ruas e as famílias, convertendo divergências políticas em ódio. Talvez o verdadeiro confronto distópico não esteja apenas entre candidatos, mas entre




