INGRATIDÃO NO CÓDIGO PENAL

Se houvesse justiça perfeita neste país — aquela mesma que aparece nos discursos de palanque, com sorriso ensaiado e mão no peito — a ingratidão na política já estaria no Código Penal, entre “estelionato” e “formação de quadrilha”. E não seria exagero. Afinal, poucos crimes produzem tanto estrago quanto o de virar as costas para quem ajudou a construir o caminho que o sujeito agora pisa como se tivesse sido asfaltado por anjos. Imagine só: artigo 171-A — “Praticar ingratidão explícita contra aliados, padrinhos, lideranças ou eleitores, omitindo favores recebidos, renegando compromissos e fingindo que sempre caminhou sozinho.” Pena: de 1 a 4 anos de silêncio obrigatório, mais multa em humildade. Porque na política, meu amigo, existe um talento oculto — o dom de esquecer. Esquecer quem puxou a corda

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REPETINDO A HISTÓRIA?

Uma história política que poderá ser repetida no Pará. Com o mesmo propósito, mas com atores diferentes. Em 1998, pela sigla do então PPB (atual PL), Luiz Otávio Campos, concorreu a senador da República sendo apoiado pelo então candidato à reeleição, governador Almir Gabriel (PSDB), com o slogan de O Senador do Governador.  Conhecido também como Pepeca, não liderava as pesquisas, porém foi eleito. O mesmo poderá acontecer com o hoje deputado estadual Chicão, que também preside a Alepa a exemplo do Pepeca à época, e que caso queira nas eleições de 2026, poderá ou não, usar o slogan “O senador do governador ou da governadora”.

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EM OUTRO REINADO

“Ser ou não ser, eis a questão” é a famosa frase de William Shakespeare, dita por Hamlet, que expressa um dilema existencial sobre viver ou morrer. Uma enorme dúvida deve também estar passando pela cabeça do prefeito de Augusto Corrêa, Estrela Nogueira, no nordeste paraense. Conseguiu entabular em Brasília, uma conversa com o deputado federal José Priante. Cremos não ter sido apenas uma visita ao parlamentar no café da manhã. Claro que a conversa política deve ter tido como tema principal as eleições, não tão longe em 2026. Emenda pra cá, emenda pra lá e lógico o mais esperado – apoio para reeleição de deputado federal. E agora? O prefeito também deve ter feito uma visita ao ministro Jader Filho, que poderá ser candidato a deputado federal. No caso vale

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INTERESSES

Sobre o vasto noticiário acerca de prisões de amigos de fulano, de beltrano, me remete a pensar que um político tem amigos pessoais com quem compartilha ideais, e amigos políticos e empresários que compartilham apenas interesses. Estes últimos, só serão seus amigos enquanto seus interesses coincidirem com os deles. Alguns irão abandoná-lo quando você perder. Mas ao contrário de outras profissões, na derrota política você aprende quem são os seus verdadeiros amigos. Amigos atualmente só valem ter no facebook, e todo cuidado é pouco.

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FUTURO IMPROVISADO

Os que não pensam no futuro vivem como quem caminha sem olhar a estrada: até sentem o vento bom de agora, mas tropeçam no primeiro buraco adiante. Apostam no improviso, juram que amanhã se ajeitam sozinhos, como se o tempo fosse empregado dedicado — desses que arrumam a casa enquanto o dono cochila. Mas o futuro, caprichoso como é, não gosta de ser ignorado. Chega sempre cobrando presença: “E aí, qual foi o plano?”. E quem não pensou nada fica ali, remexendo os bolsos vazios de previsões. No fim, a pergunta que resta é simples e teimosa: os que não pensam no futuro… que futuro terão? Talvez apenas o que sobrar dos que pensaram.

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QUO VADIS?

Há uma turma nova ocupando silenciosamente as esquinas do tempo: os jovens “nem e nem”. Nem estudam, nem trabalham. Eles carregam nas costas um mundo que mudou de marcha sem avisar, deixando-os ali, no ponto morto, tentando entender o barulho do motor. São jovens que cresceram ouvindo que o futuro era uma rodovia pavimentada, bastava seguir. Só que, quando chegaram na largada, descobriram que o asfalto virou areia movediça, o GPS perdeu o sinal e a placa de “oportunidades” estava enferrujada. E, no lugar onde deveria haver pressa, há espera. Esperam uma chance que não chega, um curso que não dá, um emprego que não aceita, uma sociedade que só cobra. E nessa espera, vão se acostumando a um tipo de invisibilidade que dói mais do que qualquer crítica: a

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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