PRECISANDO RESPIRAR
Há pessoas que parecem ter nascido com uma bússola desregulada, dessas que insistem em apontar sempre para o mesmo norte: você. Onde você está, elas estão por perto — às vezes sorrindo, às vezes só observando, às vezes apenas existindo ali, como uma sombra que não pede licença nem se manca. No começo, você acha até agradável. A companhia constante dá um certo conforto, um ar de importância. Mas, com o tempo, percebe que algumas presenças pesam mais que outras. Não porque sejam ruins, mas porque ocupam espaço demais — espaço de silêncio, de pensamento, de respiração. É curioso como algumas pessoas têm o dom de circundar a vida alheia sem que ninguém as chame. Entram pelos pequenos hábitos, pelo “estava passando por aqui”, pelo “ah, lembrei de você”. E,