OS PRIMEIROS SINAIS

Por muito tempo um longevo político paraense, que conseguiu chegar a quase todos os cargos eletivos, desde de a instância municipal até à federal, costumava comentar o cargo de prefeito de Belém – muito perigoso e muito difícil de governar, em quase todos os aspectos. Por isso mesmo nunca se atreveu a se candidatar para esta proeza. Grande verdade! O atual prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), deve estar arrependido da missão que recebeu e aceitou. Parece que a real carruagem começa a andar e ele somente agora percebe os solavancos iniciais.

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COM OUTRA INTENÇÃO

Dizem que a história não anda em linha reta; ela prefere os atalhos do vento. A influência holandesa que um dia fincou bandeiras em Pernambuco — nos traços urbanos de Recife, no açúcar organizado, na teimosia de planejar — parece ter pegado carona nas marés do Atlântico e subido a costa. Agora, ela sussurra em Belém do Pará. Não vem em caravelas nem com Maurício de Nassau à frente e nem com qualquer holandês. Chega discreta, em parcerias e interesses pessoais que falam por si só. Pernambuco já foi laboratório; Belém, agora é vitrine cobiçada de alguns pernambucanos. A história, afinal, repete-se não como cópia, mas como intenção de lucros mais fáceis

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O RETORNO DA VEREADORA EM BRAGANÇA

A cassação da vereadora Tati Rodrigues pela Câmara Municipal de Bragança, no Pará, por falta de decoro parlamentar, poderá sofrer uma metamorfose. No caso um efeito bumerangue contra a própria Câmara. Um pedido de Mandado de Segurança pelo advogado da vereadora, já foi submetido ao Ministério Público, já obteve parecer favorável. Faltando apenas a decisão judicial. Se isto acontecer o presidente do Legislativo terá que cumprir o mandado e a vereadora deverá voltar para a bancada, com todos os direitos que lhes foram cassados.

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INELEGIBILIDADE DE RENATO

Afinal de contas, depois do recurso imposto, o deputado Renato Oliveira (MDB) está inelegível ou não? Para alguns, depende menos da lei e mais do momento, para outros o recurso teria demonstrado mais uma derrota para o parlamentar. Enquanto os advogados recorrem, o mandato respira por aparelhos; enquanto os tribunais divergem, a dúvida governa (embora pareça não haver divergências factíveis). No fim, a pergunta não é jurídica, é prática: vai disputar a próxima eleição ou não? Porque, na política, a verdade costuma chegar sempre depois do prazo final.

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CÂMARA CASSA VEREADORA

Na política, o inesperado quase nunca surpreende. Basta juntar mais de duas pessoas e a conversa deixa de ser confidência para virar comício improvisado. O que se diz em tom de desabafo ganha plateia, eco e interpretação. E, como todo comício, vaza — não por maldade, mas por vocação. Em política, silêncio é exceção; regra mesmo é o som que se espalha. Câmara Municipal de Bragança, no Pará cassou o mandato da vereadora Tati Rodrigues (PSDB).

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IMPULSO E DESTINO

Há quem trate o futuro como embalagem descartável. Troca-se o que poderia ser construção por um punhado de sonhos desvairados, imediatos, barulhentos e vazios. No calor do momento, tudo parece possível; no frio do amanhã, resta apenas a conta a pagar. O problema não é sonhar — é confundir impulso com destino e acreditar que o amanhã sempre aceitará ser jogado fora.

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“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”

 
Joseph Pulitzer

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