EXCESSO DE ESPERTEZA
No começo, ele era só um político “esperto”. Daquele tipo que piscava um olho para cada problema e dava um sorriso para cada solução improvisada. Achava que, com meia dúzia de atalhos e três frases bem ensaiadas, governaria até o fim dos tempos. Afinal, “quem sabe das manhas, não precisa de estrada”. Mas a esperteza — essa velha amiga traiçoeira — cobra caro. No início, ela só pedia pequenos favores: uma manobra aqui, um desvio ali, um gesto de conveniência chegando mansinho. Ele, contente, obedecia. O sucesso parecia garantido, a popularidade inflava como balões de festa infantil. Todos achavam graça, inclusive ele. Até que um dia, o que era só jogo começou a virar vício. Ele já não pisava no chão; flutuava, confiante demais no próprio talento de “dobrar o